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Desemprego cai no vestibular

O desemprego tem afligido milhões de pessoas em todo o Brasil e os examinadores geralmente são sensíveis a esse grave problema social que já pode até mesmo tê-los afetado pessoalmente em alguma etapa de suas vidas. As matérias que, de alguma maneira, podem abordar esse tópico são: Redação, Geografia e História.

O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou recentemente que, na Grande São Paulo, 18,3% da PEA (População Economicamente Ativa, ou seja, não inclui crianças ou velhos) está sem ocupação no momento. O índice atual é dez pontos percentuais superior ao de 1989, caracterizando um aumento preocupante.

Os índices são divulgados tanto pelo Dieese como pelo IBGE e podem variar, porque usam critérios diferentes para medir o grau de ocupação da PEA. O IBGE é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um órgão do governo federal responsável pela realização do censo brasileiro.

No caso dos trabalhadores demitidos sem justa causa, os mesmos têm um auxílio financeiro disponibilizado pelo Seguro Desemprego, dessa forma, é mais tranquilo para ir a procura de um novo emprego.

Todo ano, o Brasil precisa gerar 1,5 milhão de novos postos de trabalho para absorver os jovens de 18 anos que entram no mercado de trabalho, mas, como nossa economia está em franca recessão, esses adolescentes não conseguem arrumar sequer seus primeiros empregos.

O desemprego possui causas estruturais e conjunturais. As causas estruturais derivam do avanço tecnológico. As novas tecnologias são poupadoras de mão-de-obra. Um bom exemplo disso são os metalúrgicos demitidos das indústrias automobilísticas do ABC, substituídos por robôs que fazem o trabalho de vinte ou trinta homens. O ABC é uma região altamente industrializada de São Paulo, formada pelos municípios de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul. Foi o local escolhido pelas primeiras montadoras que se instalaram no Brasil em fins da década de 1950.

As causas conjunturais residem em fatores econômicos. A atual política monetária do governo federal é recessiva e asfixia os investimentos produtivos – e geradores de empregos – com elevadas taxas de juros de 42% ao ano. O PIB (Produto Interno Bruto) deve recuar até quatro porcento nesse ano de 1999, o que sinaliza um aumento dos níveis de desemprego.

Além disso, com o fim da inflação galopante trazido pelo Plano Real, as empresas não podem mais repassar livremente os custos de novas contratações aos preços de seus produtos ou serviços. As corporações agora devem ser enxutas para permanecerem competitivas e dentro do mercado.

Economistas explicam que os altos encargos sociais pagos pelos empregadores no Brasil e na Europa explicam as dificuldades na geração de empregos e as altas taxas de desemprego na Espanha, Alemanha e também aqui na nossa terra. De fato, a taxa de desemprego nos EUA é de apenas 5% em parte porque os encargos sociais são mais realistas no país do Tio Sam e também porque a economia norte-americana tem crescido a uma média de 3% ao ano desde 1991.

É possível que os examinadores explorem as funestas consequências sociais do desemprego nas provas dos principais vestibulares. São elas: subemprego, bicos (trabalhos temporários de subsistência) tais como os de camelô, aumento da miséria, desagregação familiar, falta de perspectivas, depressão, suicídio, tendência ao aumento da criminalidade, alcoolismo, uso e tráfico de drogas.

No caso de uma redação dissertativa acerca do problema, vale apontar soluções. Pode-se afirmar que o desemprego pode servir de estímulo para iniciar um negócio próprio. O brasileiro é extremamente criativo e pode facilmente descobrir novos nichos mercadológicos para sua microempresa.

Uma boa redação não apenas mostra fatos sociais correntes, por mais desagradáveis que sejam, mas também aponta soluções factíveis no seu terço final. Dissertações do tipo “metralhadora giratória”, “portão do inferno”, “bueiro de esgoto” apenas cansam os avaliadores com suas mensagens de pessimismo. Sair dessa mesmice com uma brisa de otimismo e apontando soluções realistas pode significar uma deliciosa nota dez.

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