No final do 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg), ontem, a União Nacional dos Estudantes (UNE) decidiu não declarar apoio a candidatos nas eleições para a Presidência da República. No encontro, que aconteceu no terreno da futura entidade, na Praia do Flamengo, houve pressão de alguns grupos para que a UNE apoiasse a pré-candidata Dilma Rousseff (PT). No entanto, segundo o jornal Folha de S. Paulo, a proposta não foi à plenária final, já que a corrente, minoritária, foi convencida a recuar na madrugada deste domingo. A ideia de fazer uma campanha contra o pré-candidato à Presidência José Serra (PSDB) também não seguiu em frente. Apesar da opção pela independência, a proposta aprovada em votação pela grande maioria dos 300 delegados faz críticas ao neoliberalismo e à política do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Em um trecho, declara que seus dois governos “quebraram o país e produziram efeitos sociais devastadores”. O presidente da UNE, Augusto Chagas era um dos que defendia a neutralidade da entidade. Para ele, a decisão de não apoiar um candidato é também uma resposta aos que acusam a entidade de não fazer oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de ter se tornado “chapa-branca”. Na última terça-feira, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou projeto do Governo que prevê indenização de até R$ 30 milhões para a construção da nova sede da UNE. O projeto foi apresentado em 2008 por Lula.
Com R$ 10 milhões em verbas federais no cofre, a União Nacional dos Estudantes (UNE) vai discutir apoio à Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República. Apesar de, na galeria de ex-presidentes da entidade também conste a foto do pré-candidato do PSDB José Serra, a UNE vai defender o apoio a Dilma, durante o 58º Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg), que acontece entre hoje e domingo, no Rio de Janeiro. Entre 1963 e 1964, o tucano que vai disputar a sucessão do presidente Lula comandou a entidade estudantil. Diz a Agência Estado que Augusto Chagas, presidente da entidade, admitiu que boa parte das correntes internas que compõem a UNE está na base do Governo. Com muito dinheiro em caixa e muita gente “trabalhando” no Governo, quem seria louco de se posicionar contra a candidata do PT? Filosofia de boteco. E tem mais, Augusto Chagas defende o recebimento de verbas federais, fruto de emendas parlamentares e patrocínios de estatais. “É correto que os governos ajudem. Não há nada de ilegítimo e politicamente inaceitável nisso”, alega, e criticou José Serra dizendo que o pré-candidato tucano deu uma declaração de que a UNE, hoje, é partidária. Que maldade!
A entidade máxima de representação dos estudantes (?!) tem, agora, um motivo a mais para fazer passeatas a favor do Governo, que se transformou numa mãe generosa para a UNE. Passou, por unanimidade, na Câmara Federal, pedido de indenização pelo incêndio da sede no Rio de Janeiro, em 1964, R$ 30 milhões.
A distribuição de dinheiro público para acalmar ímpetos que podem atrapalhar, como os irrequietos estudantes da UNE (que um dia já foram, não são mais), continua a todo o vapor. Mas, ainda existem parlamentares de olhos bem abertos para evitar esta farra. Ontem, na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, deputados da oposição impediram que fosse aprovado o pagamento de R$ 30 milhões à União Nacional de Estudantes (UNE) como compensação pela destruição da sede da entidade no Rio de Janeiro, incendiada em abril de 1964. O projeto é do Governo Federal. A resistência do deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) ao projeto levou estudantes da UNE a uma manifestação inusitada no Congresso. Cerca de 50 manifestantes saíram pelos corredores gritando palavras de ordem contra o parlamentar, que foi chamado de “filhote da ditadura”. Segundo Aleluia, a UNE tem uma história importante e teve grandes líderes, como José Serra (ex-presidente da UNE e aliado de Aleluia). “Agora, virou um entidade remunerada. Tem a sua lealdade ao presidente Lula comprada. Os garotos são atraídos pelo dinheiro do Governo. Essa UNE não tem coragem de divergir e chegou a ir às ruas para defender mensaleiros”, disse o deputado, que foi vaiado por estudantes. Com informações do jornal O Globo.
Estudantes que participaram do 51º Congresso da UNE fazem manifestação contra CPI da Petrobras
É para rir a justificativa apresentada pela diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE), que vem sendo criticada por receber recursos do Governo Federal (só nos primeiros meses de 2009 já foram contabilizados R$ 2,5 milhões) e mudar o foco de luta de mais e 70 anos da entidade. Em nota, o presidente da entidade, Augusto Chagas, diz que a mídia “escandalosamente busca subterfúgios para atacar a UNE, taxando-a de governista, vendida, aparelhada e desvirtuada de seus objetivos”. E não é? Mais adiante, a nota diz que um desses ataques “tem a ver com o recebimento de patrocínios de empresas públicas por parte da entidade. A UNE nunca recebeu recurso público para aplicá-lo no que bem entendesse. Recebe sim apoio para a construção de nossos encontros e isto não se configura em nenhuma irregularidade”. Então tá. E esses apoios não são recursos públicos? O dinheiro que a UNE recebe religiosamente não vem do Governo Federal, ou de suas empresas? De onde sai o dinheiro do Governo, se não do bolso do contribuinte! A quem a UNE presta contas do uso desse dinheiro? Já que é dinheiro público, o brasileiro tem direito e a UNE obrigação, de mostrar o que faz com o que recebe. Da Petrobras, em julho, a entidade recebeu R$ 100 mil e, no dia da abertura do Congresso, os estudantes fizeram passeata contra a CPI da Petrobras. Isso é isenção?
Mesmo depois de encerrado o 51º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), no domingo, o encontro continuou sendo notícia nos jornais de Brasília. As notícias veiculadas dão conta de estragos e danos em patrimônio público na capital federal. A direção da UNE, em nota, afirma que a entidade assumirá os possíveis estragos causados nas escolas que serviram de alojamento aos milhares de estudantes presentes no Congresso. “A União Nacional dos Estudantes esclarece que todo e qualquer prejuízo que possa ter sido causado ao patrimônio público será ressarcido pela entidade”, diz a nota, destacando, porém, que não se responsabiliza por atitudes individuais. “Acontecimento isolado como esse citado anteriormente não reflete, portanto, a grandiosidade do encontro”, finaliza a nota. Dinheiro para esse ressarcimento, afinal, a entidade tem. Se não, pede para o Governo Federal que, certamente, serão atendidos.
Definitivamente, os ideais dos jovens estudantes já não são mais os mesmos. Mais parecem, hoje, rebeldes sem causa. Enquanto o País mergulha numa crise de credibilidade jamais vista, os estudantes, capitaneados por Lúcia Stumpf, iniciam hoje o 51º Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), discutindo o ProUni e fazendo passeata em defesa da Petrobras e do petróleo. Só não dizem qual defesa. Talvez, estejam contra a CPI instalada no Congresso… Mas, a abertura do Congresso contará com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ainda na manhã de hoje, a partir das 11 horas. A passeata está marcada para as 14 horas, com concentração no Teatro Nacional, em frente à Catedral de Brasília (DF). O Congresso, que está sendo realizado no Centro de Convenções Ulisses Guimarães, localizado no eixo monumental, Brasília, encerra amanhã.
