Segundo a Folha Online, advogados do PSDB acusam a direção do Instituto Sensus de estar impedindo, neste momento, em Belo Horizonte (MG), o acesso de dois representantes do partido aos formulários da pesquisa realizada pelo instituto na semana passada, que apontou empate técnico entre os pré-candidatos José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT). Ontem à noite, o PSDB conseguiu uma autorização do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para ter acesso aos documentos, para análise. Na quarta-feira (14), o partido havia entrado com representação no Tribunal contra o Sensus, argumentando que o instituto divulgou a pesquisa antes do prazo legal de cinco dias a partir da data de registro na pesquisa no TSE. A pesquisa foi encomendada, segundo o instituto, pelo Sintrapav (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo). O advogado do PSDB, Ricardo Penteado, afirma que os representantes do partido chegaram à sede do Sensus, em Belo Horizonte, às 8h, com uma certidão expedida pelo TSE na noite de ontem, autorizando o acesso aos dados. Segundo Penteado, a direção do Sensus afirmou que só liberaria o acesso aos formulários com uma ordem direta do TSE. Esse documento foi enviado ao Sensus por fax às 11h44, reiterando os termos da certidão expedida ontem. No entanto, afirma Penteado, mesmo com o documento, o instituto agora pede um prazo até as 16h para liberar acesso aos formulários. Os institutos de pesquisa têm a obrigação de manter arquivados os questionários de cada pesquisa. A legislação eleitoral permite o acesso de partidos políticos, caso requeiram, aos dados das pesquisas. A lei prevê que “ato que vise a retardar, impedir ou dificultar a ação fiscalizadora dos partidos constitui crime, punível com detenção, de seis meses a um ano”. Aí tem!
“Na mais recente pesquisa de intenção de votos do Instituto Sensus, Serra tem 33,2%, Dilma 27,8% e Ciro 11,9%. Quando se tira Ciro, o Serra cresce 7,5% – vai para 40,7%. E Dilma apenas 0,7% – vai para 28,5. Ou seja: Serra cresce 10 vezes mais do que Dilma. Acontece que isso é virtualmente impossível no histórico das pesquisas eleitorais dos últimos tempos. Nenhuma pesquisa jamais registrou fenômeno igual. Nas pesquisas divulgadas no início de dezembro, Serra obtém 31.8% na Sensus, 38% no Ibope e, no Datafolha, divulgado quinze dias depois dessas duas, 37%. E neste mesmo Datafolha de dezembro, quando Ciro sai, tanto Serra quanto Dilma crescem 3 pontos percentuais cada um. Tudo indica que o erro da pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem está na primeira simulação, com o objetivo claro de aproximar os dois pré-candidatos. Se não for isso, o erro estará na segunda simulação. É virtualmente impossível que ambas as simulações da CNT/Sensus estejam corretas. O mais provável é que a primeira simulação cumpra o objetivo de “fabricar’ um empate técnico! Mesmo com esses dados, Serra cresce na primeira e na segunda simulação e, sem o Ciro, ganharia a eleição no 1º turno”. E-mail do deputado Juthay Magalhães Jr. (PSDB-BA) enviado ao jornalista Ricardo Noblat.
Onde está a “enquete” do Vox Populi encomendada pela Band TV e prometida para a semana passada? Sim, enquete, porque ouvir 700 pessoas de uma população de 10 milhões não pode ser pesquisa. Mas, enquanto os números do Vox Populi não aparecem, a expectativa agora é esperar a pesquisa encomendada pelo PSDB para o Ipespe, de Antônio Lavareda, homem de confiança da cúpula tucana, que pediu registro ontem ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sobre a sucessão no Governo do Estado.
Enquanto a campanha eleitoral é flagrantemente antecipada por alguns políticos, o eleitor não está nem aí para a corrida presidencial. Pelo menos foi o que ficou evidente na pergunta espontânea sobre intenção de voto na última pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem. Nada menos que 52% dos eleitores não responderam ou não souberam responder em quem votariam se a eleição fosse hoje. Outros 18% responderam “Lula”, que é inelegível, e 5% disseram que anulariam ou votariam em branco. Resumindo: apenas 25% dos eleitores optaram, de cara, por um dos candidatos elegíveis. Os outros 75% provavelmente nem sequer haviam pensado seriamente no assunto até serem abordados pelo pesquisador, conforme identificou matéria publicada hoje no jornal Estado de S. Paulo.
