Ministro Ricardo Lewamdowski
O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu ontem que as penas previstas para os envolvidos no mensalão podem prescrever, porque a matéria não será julgada antes do recesso do Judiciário. Lewandowski justificou que não terá tempo para ler todos os depoimentos. Esse é o Brasil. E depois dizem que é preciso acabar com a impunidade. Mas, como? Se um juiz diz que não tem tempo para ler os depoimentos? O mensalão, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, aconteceu em 2005. Em 2006, o ex-procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, denunciou 40 pessoas e, dessas, 38 ainda continuam no processo, acusados de formação de quadrilha, operação de desvio de dinheiro público, concessões de benefícios indevidos a particulares em troca de dinheiro e compra de apoio político, condutas que caracterizam, segundo o ex-procurador, os crimes de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas. A falta de tempo para ler os depoimentos, e lá se foram cinco anos, pode livrar da punição figuras notórias como, José Dirceu, Luiz Gushiken, José Genoino, Delúbio Soares, Silvio Pereira, Marcos Valério, João Paulo Cunha, Pedro Corrêa, José Janene (falecido), Valdemar Costa Neto, Professor Luizinho, João Magno, Anderson Adauto, Duda Mendonça, José Borba, Carlos Rodrigues, Zilmar Fernandes da Silveira, Simone Vasconcelos, Henrique Pizzolato e Roberto Jefferson. Em cinco anos o desembargador não conseguiu ler os depoimentos? Pior, em recente entrevista, o ex-procurador, Antônio Fernando de Souza afirma que há elementos suficientes para condenar os 38 réus. O motivo: “parte relevante dos valores teve origem em recursos públicos”.


