Como resposta à paralisação dos guardas municipais, que cruzaram os braços desde o dia 22 de fevereiro, a Prefeitura de Curitiba afirma que a remuneração de um guarda municipal é composta pelo salário base, de R$ 710,88, e uma gratificação de segurança de 50%, que incide sobre o salário e sobre horas extras trabalhadas. Ou seja, mesmo que não fizesse hora extra, o salário base do guarda municipal seria de R$ 1.066, 32, contando com a gratificação, paga mensalmente a todos os guardas. Além disso, somando-se os benefícios e horas extras, mesmo um guarda recém-contratado recebe em torno de R$ 2.100 por mês, já que praticamente todos os guardas fazem hora extra. Na folha de fevereiro, paga na sexta-feira (26), a média de salário da Guarda Municipal foi de R$ 2.396,76. O valor de uma hora extra paga pela Prefeitura é a hora normal e mais 50% sobre ela. Os guardas fazem hora extra por conta da escala de trabalho em turnos e da demanda de serviços em novas escolas, creches e unidade de saúde e outros equipamentos. A média de hora extra na Guarda Municipal de Curitiba é de 90 horas extras por mês para cada guarda. Dos 1.743 guardas, 1.586 guardas (90,99% do efetivo) recebem ainda uma Bolsa Formação, de R$ 400,00 mensais, a título de incentivo para a melhoria profissional, conforme convênio assinado com o Pronasci. A cada dois anos de serviço o guarda tem direito a um aumento de 2,8% do salário base, a título de crescimento horizontal na carreira e, a cada cinco, recebe um adicional por tempo de serviço (quinquênio) de 5%. Esses valores somados elevam em mais de 20% a remuneração de profissionais que têm entre 8 e 17 anos de serviços prestados, ou mais de 18 anos. Entre os 1.743 profissionais da corporação, 732 (42%) têm de zero a sete anos de serviços, 419 (24%) tem de 8 e 17 anos, e 592 estão há mais de 18 anos na corporação (34%). O último concurso para guardas municipais, concluído em abril de 2009, atraiu 6.500 candidatos, teve 663 aprovados e 196 profissionais contratados.
Em nota, a Prefeitura de Curitiba diz que a greve dos guardas municipais está prejudicando o acesso da população a serviços públicos do Município. A paralisação afetou o funcionamento de equipamentos de esporte e lazer, saúde, educação, rede de abastecimento e o setor de obras públicas. Dados da direção da Guarda Municipal apontam que 70% dos 1743 guardas municipais abandonaram seus postos desde segunda-feira (22), “contrariando decisão da justiça, que determina o atendimento de 70% das atividades desses profissionais”. A Secretaria Municipal do Abastecimento foi a mais prejudicada, segundo a nota, com o fechamento de 20 dos 26 Armazéns da Família, nos três primeiros dias de greve. Para reverter este problema, a Prefeitura contratou, ontem, equipes de vigilância privada para garantir o funcionamento das unidades. O custo diário dos serviços de vigilância é de R$ 5 mil, o que equivale a metade do valor da multa aplicada pela Justiça ao Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba por dia parado. De acordo com a Secretaria Municipal do Abastecimento, pelo menos 15 mil pessoas deixaram de comprar nos Armazéns da Família, um prejuízo estimado de R$ 336 mil. Com a paralisação, 125 das 179 escolas municipais estão sem guardas municipais, o mesmo que ocorre em 100 dos 113 equipamentos de saúde da cidade. Atividades de esporte e lazer e do programa Bola Cheia também estão prejudicados. Por uma questão de segurança, os centros de esportes e lazer da Regional Matriz (Plínio Tourinho, Oswaldo Cruz e Velódromo) estão encerram as atividades às 18h. Caso a greve continue, os atendimentos do Programa Bola Cheia, programados para hoje e amanhã à noite, serão cancelados, deixando de atender 2.500 jovens que vivem em áreas de risco e frequentam o programa para sair das ruas. O setor de obras públicas também foi afetado. Sete dos nove distritos de manutenção urbana, onde ficam os maquinários da Prefeitura, estão desprotegidos. Em dois deles, Boqueirão e Santa Felicidade, houve furtos de baterias de veículos.
