A Polícia Federal abriu dezenas de inquéritos para investigar suposta evasão de divisas e lavagem de capitais envolvendo empresários, investidores e industriais que teriam promovido remessas de valores destinadas ao Israel Discount Bank, em Nova York. Segundo a Agência Estado, os inquéritos foram abertos por ordem do juiz federal Sérgio Fernando Moro, titular da 2.ª Vara da Justiça Federal em Curitiba. Moro é especialista na condução de ações sobre crimes financeiros. Ele deflagrou a investigação do caso Banestado, de rombo de US$ 30 bilhões na segunda metade dos anos 90. O dinheiro enviado ao exterior sem comunicação ao Fisco e ao Banco Central. O caso Israel Bank é um desdobramento do Banestado, informou o juiz. Ele destacou que o rastreamento de recursos do Banestado indicou instituições financeiras no exterior, entre elas o Israel Discount Bank, situado em Nova York, que captaram valores cuja fonte foram investidores brasileiros. O caso Banestado provocou operações distintas da PF, uma delas a Farol da Colina, que identificou a ação de 63 doleiros. Uma das últimas instituições identificadas no episódio Banestado foi o Israel Bank. A instituição captava valores de evasão a partir do Brasil. A promotoria de Manhattan quebrou o sigilo das contas do Israel Bank para uma investigação de interesse dos EUA. Uma instituição que foi alvo da promotoria americana fez acordo para não ser acionada judicialmente e desembolsou US$ 5 milhões para o Tesouro dos EUA. As autoridades americanas investigaram o Israel Bank e recolheram documentação relativa a contas com depósitos de cidadãos brasileiros ou residentes no Brasil. Esses arquivos foram compartilhados pelas autoridades brasileiras, que pediram autorização para usar os dados em investigações aqui instauradas.
Na abertura da “Escolinha” de hoje, no auditório do Museu Oscar Niemayer (MON), o governador Orlando Pessuti (PMDB) fez uma avaliação da semana passada, que considera “puxada e agitada”, e acredita que esta semana “haverá de produzir resultados buscados ao longo dos sete anos pelo ex-governador Roberto Requião (PMDB). Ele se referia à dívida contraída pelo Paraná quando da venda do Banestado ao Banco Itaú. Segundo o governador, essa transação resultou numa “dívida monstruosa”. Ele conta que o empréstimo foi de R$ 5 bilhões, e o Estado ainda ficou devendo R$ 4,2 bilhões. “E, disso, já se pagou em torno de R$ 6 bilhões ou R$ 7 bilhões e ainda nos restam uma dívida de R$ 9 bilhões, Ficamos sem o banco, já pagamos R$ 6 bilhões e ainda devemos R$ 9 bilhões. Além disso, todos os meses somos penalizados com uma multa de R$ 5 bilhões. É dinheiro nosso, que poderia estar servindo para atender necessidades dos paranaenses”, lamenta, avisando que esse dinheiro que está bloqueado já soma R$ 260 milhões. Pessuti lembra da sua viagem à Brasília, em companhia do secretário da Fazenda, Heron Arzua, onde manteve uma série de conversações, como os ministros do Planejamento (Paulo Bernardo), da Fazenda, Guido Mantega, e com o senado ACM Jr (DEM-BA), para tentar livrar o Estado da multa e ter os quase R$ 300 milhões desbloqueados. De acordo com o governador, a dívida remanescente foi acrescida de mais de R$ 1 bilhão, além dos títulos podres, os precatórios que o Paraná, quando entregou Banestado ao Itaú, teve que avalizar esses títulos com as ações da Copel. “Esse problema está sendo questionado na Justiça, que ainda não resolveu. Corremos o risco de perder o controle acionário da Copel. É uma ação complexa, por isso, estamos acionando as forças políticas em Brasília para resolvermos essas questões”, disse, adiantando que essa semana poderá ter resposta positiva no Senado, com o recálculo da dívida e o fim do bloqueio dos quase R$ 300 milhões na Secretaria do Tesouro Nacional.
