A Empresa Brasil de Comunicação (EBC), do Governo Federal, contratou por R$ 6,2 milhões uma empresa que emprega o filho do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, presidente do Conselho de Administração da estatal, conhecida como “TV Lula”. A Tecnet Comércio e Serviços Ltda. venceu, no penúltimo dia de 2009, a concorrência para cuidar do sistema de arquivos digitais da EBC, um dos grandes projetos do Governo. E-mails da própria EBC, obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo, mostram que o ministro Franklin Martins pediu “prioridade zero” para o assunto, embora pareceres feitos em dezembro alertassem quanto à falta de recursos orçamentários para o projeto. A EBC é a única emissora de televisão brasileira cliente da Tecnet na área digital. A empresa é o braço operacional do grupo que dirige a RedeTV! O jornalista Cláudio Martins, filho do ministro Franklin, trabalha na Tecnet há pelo menos dois anos como representante comercial, segundo a própria direção da empresa. De acordo com o comando da Tecnet, ele é o responsável pelos negócios de software e tecnologia da empresa no exterior e com as afiliadas do grupo. A licitação vencida na EBC foi realizada às pressas em 30 de dezembro passado. No dia seguinte, o Governo emitiu a nota de empenho (compromisso de pagamento) para a empresa. Além desse contrato, a Tecnet tem outros dois com a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 5,4 milhões, para prestar serviços de telemarketing. Procurados pela reportagem, o ministro Franklin Martins, a direção da EBC e o comando do grupo Tecnet/RedeTV disseram não ver nenhuma irregularidade na licitação.
Perto de mil pessoas estiveram presentes, ontem, no jantar que reuniu amigos e parentes dos candidatos a deputado federal João Arruda (PMDB), e estadual, Luiz Malucelli Netto (PSDB), no Buffet do Batel. A surpresa ficou por conta da jovem empresária Paola Malucelli Arruda que, pela primeira vez, usou um microfone com objetivos políticos. A filha do mega-empresário Joel Malucelli, e esposa do candidato João Arruda, não pediu votos, mas “para que as pessoas abram o coração e ouçam as propostas que os candidatos têm a oferecer, para que tenhamos um País e uma política melhor no Paraná”. O empresário Andre Malucelli citou uma frase muito usada pelo ex-governador e ex-ministro Ney Braga: “pelo Brasil eu morro e pelo Paraná eu mato”, e pediu responsabilidade aos candidatos, para que eles lutem pelo Estado e pelo País. O coronel Sérgio Malucelli preferiu dar um puxão de orelhas nos parlamentares, “que mancharam a Assembleia Legislativa”, e pediu votos para os dois jovens, “na esperança que isso [corrupção] seja corrigido”. O presidente do grupo, Joel Malucelli, disse que colocaria a sua assinatura embaixo das propostas dos dois candidatos e pediu para que seus funcionários, amigos e familiares votassem neles. Luiz Malucelli, por sua vez, defendeu um novo Paraná com indústria e emprego, além de pregar um combate efetivo contra o tráfico de drogas no Estado. Já João Arruda, pregou melhoria de vida de todos os paranaenses, abominando a pobreza.
Entre uma crítica e outra, ontem, durante sabatina patrocinada pelo jornal Gazeta do Povo, o candidato ao Governo do Estado, Osmar Dias (PDT), deixou claro que segue exemplo do seu “ídolo” maior, o presidente Lula: é uma “metamorfose ambulante”, como se autodefiniu há alguns meses o petista, para explicar as razões pelas quais mudou muitas vezes de ideia depois que assumiu a Presidência da República. Aos jornalistas da Gazeta do Povo, Osmar disse que o presidente passou a ouvi-lo mais ao longo do segundo mandato. “E que, por isso, mudou sua ideia sobre o governo petista”. Em 2006, o pedetista chegou a dizer que o Governo Lula era o pior da história para os agricultores. Osmar também falou sobre a crise das passagens aéreas no Senado, quando o senador foi acusado de utilizar bilhetes (pagos com dinheiro público) em benefício de sua família. Na época, o pedetista disse que isso era permitido pelas regras, mas houve questionamento sobre a ética disso. “Foi uma passagem que foi usada durante os 16 anos que estou lá [no Senado]. E, na época, os recursos liberados para o pagamento de passagens dos parlamentares pertenciam ao parlamentar. Era parte de um título chamado remuneração. Portanto, era lícito. Até o momento em que nós mesmos colocamos na lei, e eu era um dos cinco líderes que trabalharam nisso, e pedimos para que a mesa diretora do Senado estabelecesse uma regra clara separando a despesa com passagem da remuneração, para que não houvesse confusão. Portanto, aquilo que foi feito era perfeitamente lícito, ético”, respondeu Osmar, acrescentando, ainda que considera normal os parlamentares que estão em campanha continuarem a receber os salários do Congresso. “O regimento do Congresso diz que o parlamentar tem 60 dias de dispensas do Senado no período anterior às eleições. A campanha é um exercício do mandato”, afirma. Sobre as denúncias de irregularidades na Casa Civil e na Receita Federal, Osmar Dias afirmou que a situação é grave. “A punição já começou. As pessoas envolvidas já foram demitidas”, disse, afirmando que, agora é a Justiça quem deve tomar as providências. Sobre propostas para o Paraná, Dias prometeu aumentar volume de investimentos no Estado e, para isso, quer renegociar a dívida com a União, por conta do saneamento do Banestado. O candidato falou ainda em contratar mais 1,7 mil policiais militares por ano e afirmou que vai excluir o programa Leite das Crianças e os gastos com saneamento dos 12% da receita que o Estado precisa, por lei, investir em saúde. Falou na possibilidade de colocar um técnico para direção da Copel e criticou o acordo para as obras de conclusão da Arena da Baixada: “Eu penso assim: dinheiro público é para obra pública. Dinheiro público não pode ajudar a construir obras privadas. O BNDES tem uma linha de crédito para todos os estados, para todos os clubes de futebol que quiserem investir nos seus estádios para ser sede da Copa. Eu sou a favor de que o BNDES participe deste esforço. Agora, o governo do estado pode participar. Como? Fazendo as obras de infraestrutura para apoiar o acesso [ao estádio], para apoiar a mobilidade [urbana]”, pontuou.
Hoje, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), unidade Curitiba, do Ministério Público do Paraná, apresentou denúncia criminal contra dez policiais militares em razão de uma abordagem policial na Vila das Torres, na capital, em outubro de 2008, que resultou na morte de um rapaz. O jovem foi morto em casa, de madrugada, a tiros. Segundo a denúncia do MP-PR, os PMs entraram na casa já determinados a executar a vítima, que foi morta mesmo sem ter reagido. Dos dez denunciados, quatro são acusados de terem participação direta no homicídio, já que dois invadiram a residência, forçando a saída do jovem, enquanto outros dois efetuaram os disparos. Os demais chegaram ao local somente após os tiros e, supostamente para ajudar os colegas, tentaram fraudar as provas, colocando armas e drogas na casa da vítima. Além de homicídio e fraude processual, o MP-PR sustenta que um dos acusados praticou “vilipêndio ao cadáver”, com a divulgação na internet, por e-mail, diversas fotos do corpo do rapaz, com citações irônicas e ultrajantes. À época, os policiais alegaram que o jovem morto teria ligação com narcotraficantes, o que não foi comprovado. Segundo o MP, as provas revelaram que o rapaz já havia sido abordado poucos dias antes, oportunidade em que foi fotografado e ameaçado de morte. Ao longo da investigação, os denunciados apresentaram várias versões diferentes e contraditórias, dizendo inicialmente que o rapaz havia atirado contra eles, negando depois essa situação. O Ministério Público apresenta na denúncia laudos periciais, que atestam que os policiais invadiram a residência do rapaz, que foi morto sem ter reagido, contrariando a versão dos PMs (a vítima foi atingida com cinco tiros, um deles nas costas). Também, o MP diz que há dados sobre a localização das viaturas e do tempo que os policiais teriam ficado na residência e na região onde ocorreu o crime, áudios do registro da ocorrência e de provas testemunhais que contrariam as declarações dos denunciados. “Diante da existência de robustos elementos a apontarem para a prática dos crimes de homicídio qualificado, falso testemunho e vilipêndio a cadáver, conclui-se a presente investigação, sendo oferecida denúncia em separado”, diz o MP.
O diretor do Banco do Vaticano, Ettore Gotti Tedeschi, está sendo investigado por magistrados de Roma, por suspeita de lavagem de dinheiro na instituição, disseram fontes da Justiça local hoje. Segundo a Agência Reuters, o gabinete dele e o porta-voz do Vaticano afirmaram nada ter a comentar sobre o assunto. O banco do Vaticano, conhecido oficialmente como Instituto para as Obras Religiosas (IOR), envolveu-se pela última vez em um grande escândalo em 1982, quando esteve implicado na falência fraudulenta do Banco Ambrosiano, então o maior banco privado da Itália.
Uma pesquisa feita pelo Ibope, encomendada pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), mostra um dado que preocupou os juízes brasileiros: 54% dos eleitores não denunciariam tentativa de compra de votos. Entre os que denunciariam, 14% disseram que não sabem quem procurar, mas, a maior parte (43%), porém, declarou que procuraria a Justiça Eleitoral. “Infelizmente, em todas as classes sociais, em todas as regiões do País, existem pessoas que admitem [dar] o voto em troca de benefício. É um índice alto entre aqueles que têm coragem de assumir publicamente”, disse o presidente da AMB, Mozart Valadares. Entre as regiões, a Nordeste (21%) foi a que apresentou o maior número de entrevistados que admitem trocar o voto por dinheiro ou outro benefício. “É um dado preocupante. Precisamos conscientizar o eleitor de que ele não deve negociar sua cidadania”, ressaltou. A pesquisa apontou, também, que quase metade do eleitorado brasileiro conhece casos de políticos que compram ou compraram votos. Dos 43% que admitiram ter conhecimento da prática, a maior parte dos entrevistados (57%) tem grau de escolaridade mais alto, com nível superior completo. Percentual semelhante (41%) afirma conhecer alguém que já votou em troca de algum benefício, e 13% admitem que votariam em um candidato que oferecesse alguma benesse. “A classe política não traz números animadores”, disse o presidente da AMB. Ainda de acordo com o levantamento do Ibope, 9% dos eleitores desconhecem a lei Ficha Limpa e que 3% são contra essa lei, que proíbe a candidatura de políticos com condenações por órgãos colegiados. “A democracia requer tempo. Temos de ter compreensão com a história e os costumes do País. É um processo que leva tempo”, afirmou Valadares. Segundo a pesquisa, entre os 85% que aprovam a lei, a maior parte (91%) é de eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste. Na análise do nível de escolaridade, 91% dos favoráveis à Ficha Limpa têm curso superior e 88%, ensino médio completo. Porém, a maior parte dos eleitores (73%) acredita que a política é uma atividade que beneficia os próprios políticos e não a sociedade. E, na hora de escolher o candidato, 21% levam em conta os benefícios que a comunidade ou a própria família pode receber. “Isso mostra o grau de insatisfação em relação à classe ‘político’. O que precisamos, agora, é agilizar as denúncias e punições, para que a sociedade se conscientize”, sugere Mozart Valadares. A pesquisa Ibope traçou um perfil do eleitorado brasileiro. Foram ouvidas 2.002 pessoas, entre os dias 18 e 21 de agosto, em 140 cidades brasileiras.
O governador do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, e o ex-governador e candidato ao Senado Waldez Góes (PDT) foram recebidos com bandeiras, jingles da campanha, bandinha de música, faixas, gritos e choro ao desembarcar por volta das 18h de ontem, em Macapá. Segundo a Folha Online, um policial militar estimou que cerca de 20 mil pessoas participaram do ato. A situação até seria normal em campanha eleitoral, não fosse o fato de que os dois candidatos e outras 16 pessoas foram presas na Operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, no último dia 10. A operação é um desdobramento de investigações iniciadas em 2009, que apontaram indícios de desvio de recursos em diversos órgãos estaduais Eles foram soltos no sábado (18), depois de nove dias, porque terminou o prazo da prisão temporária.
Francisco Everardo dos Santos, o palhaço Tiririca, e candidato a deputado federal pelo PR, foi denunciado ontem pelo Ministério Público Eleitoral de São Paulo à Justiça, por falsidade ideológica, informa o jornal O Globo. De acordo com pesquisa Datafolha, Tiririca, pode ser o mais votado em São Paulo. Denúncia da revista Veja afirma que o humorista disse que declarou à Justiça Eleitoral que não tem bens, porque colocou o seu patrimônio em nome de terceiros, já que responde a processos trabalhistas e por sua ex-mulher. Foi com base nesta denúncia que o MP recorreu à Justiça. O promotor da 1ª Zona Eleitoral da capital paulista, Maurício Antonio Ribeiro Lopes, pediu à Justiça a quebra de sigilo fiscal e bancário do candidato, e cópias de processos que tramitam contra ele em segredo de Justiça no Ceará. “Ele faz declaração falsa, mas diz que na verdade tem bens e em nome de terceiros. Isso é procedimento de criminoso, não de candidato a cargo eletivo. Ele passar os bens para o nome de terceiros é fraude. Omitir (da Justiça Eleitoral) é fraude dobrada”, afirma. Segundo Lopes, se condenado, Tiririca pode ser sentenciado a cinco anos de prisão e ter o registro da candidatura ou o mandato cassado. O advogado de Tiririca, Ricardo Vita Porto, disse que a denúncia é infundada. “Não houve qualquer crime eleitoral de omissão de bens”, argumenta.
Os candidatos à Presidência da República (a exceção de Dilma Rousseff (PT), que já se considera eleita), José Serra (PSDB), Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Marina Silva (PV) se enfrentaram em novo debate, ontem, na TV Jornal do Commercio. Depois de prometer aumentar o salário mínimo e o valor das aposentadorias, o candidato do PSDB, José Serra, disse que, caso eleito, dará décimo terceiro salário para todos os beneficiários do Bolsa Família. “Os assalariados têm, os aposentados têm, então os beneficiários do Bolsa Família também devem ter”, afirmou o tucano, no que foi rebatido por Plínio de Arrruda Sampaio, do PSOL, que criticou a necessidade da existência de um programa social como esse no País: “O Bolsa Família existe porque falta emprego e porque falta trabalho, salário. Bolsa Família deveria ser uma ação emergencial, por exemplo, para quem está sob a lona esperando por um pedaço de terra, pela reforma agrária”, afirmou Plínio. Ele disse ainda que o dinheiro do Bolsa Família é tão pequeno que deveria se chamar Bolsa Biscoito. A candidata Marina Silva lembrou que o programa antes era criticado pelos tucanos e que só agora, durante o período eleitoral, passou a ser defendido. Serra replicou, afirmando que o Bolsa Família é uma herança de vários outros programas que foram criados, ainda, no governo Fernando Henrique Cardoso. A política nacional terminou dominando o debate que era destinado a discutir o desenvolvimento do Nordeste. A ex-Ministra Dilma Roussseff voltou a ser criticada por José Serra por ter faltado ao encontro. Ele lembrou que ela já deixou de ir a dez debates para os quais fora convidada. Serra prometeu revitalizar a Sudene, criar uma secretaria especial para o semi árido, e tocar obras como a Transnordestina – ferrovia em implantação no Nordeste – e concluir as de irrigação em andamento na região. As informações são do jornal O Globo









