O governador Roberto Requião (PMDB) estava inspirado, agora a pouco, ao abrir a “Escolinha”. Disse que abria a Escola de Governo constrangido em razão de um sonho que teve nessa noite. “Sonhei que estava montado em um cavalo, vestido de D. Pedro. Estranhamente, eu podia me observar. Então, levantei a mão e disse: se é para o bem do povo e a felicidade geral da Nação, dia ao povo que fico. Esse sonho está se tornando uma compulsão”, ameaça. Disse isso porque deve deixar o Governo do Estado, no dia 31 deste mês e o vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) deve assumir o posto. Pessuti, então, percebendo a “brincadeira”, disse que segue a recomendação da Bíblia: vigiai, vigiai, vigiai. Foi apenas um surto.
Outra que fala com desenvoltura na “Escolinha” é a secretária Lygia Pupatto, que teria de deixar o Governo, conforme determinação do diretório do PT do Paraná. Lygia, ainda não sentiu “vontade” de abandonar o cargo. Até, recebeu elogios do governador Roberto Requião (PMDB): “Temos um Governo transformador com o nosso Bianchini. Outra transformadora é a nossa Lygia Pupatto”. Neste momento, ela fala sobre a sua secretaria e o que fez na Pasta. Nem parece que houve qualquer contratempo envolvendo o seu partido e o governador… Bem que o deputado Tadeu Veneri (PT) apostava que ninguém deixaria o cargo, antes do prazo legal, que é 3 de abril.
Embora tenha assinado nota oficial junto com a secretária de Ciência e Tecnologia, Lygia Pupatto, o secretário da Agricultura, Valter Bianchini, ambos do PT, ainda continua à frente da Secretaria. Neste momento, fala na “Escolinha” sobre a Pasta. Depois das denúncias do governador Roberto Requião (PMDB), contra o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, a quem acusa de tentar superfaturar uma obra de construção de uma ferrovia, o PT paranaense decidiu que os petistas devem deixar os cargos que ocupam no Governo. Até agora, ninguém deixou cargo algum… Talvez esperem o final do mês quando deverão, por força da lei eleitoral, deixar os cargos para concorrer nas eleições de outubro.
O governador Roberto Requião (PMDB) não é tão insensível quanto pregam por aí. Agora a pouco, na “Escolinha”, o peemedebista mostrou o seu outro lado. Com voz embargada pela emoção fez um pronunciamento sobre a morte do secretário Cláudio Xavier, que morreu ontem de infarto. “Não vou chamar de ex-secretário, porque tudo o que fizemos na área da saúde, começou com ele. E o Hospital de Reabilitação, que leva o nome de sua filha Ana Carolina, uma dor, um talho no coração do Cláudio. O programa do leite das crianças; a tarefa de reestruturar a secretaria e dar a ela os meios necessários para revolucionar o atendimento à população paranaense. Hoje, os hospitais públicos não devem nada aos hospitais particulares. O trabalho com a Pastoral da Criança… Primeiro, foi a doutora Zilda e, agora, o Cláudio nos deixa. Que o seu trabalho e a sua memória sejam reverenciados. Foi bom ter conhecido o Cláudio. Foi bom trabalhar com ele. Foi bom ser amigo do Cláudio”, disse.
O secretário de Segurança Pública do Paraná (SESP), Luiz Fernando Delazari, fala nesse momento sobre a criminalidade no Estado e sobre a Operação Paraná Seguro, que teve início na sexta-feira (26). Disse que o geoprocessamento usado pelo Governo do Estado para mapear as áreas de maior incidência de crimes, faz um raio-x claro da criminalidade. Contou que “a droga mudou” e não é mais a cola, a maconha, mas sim o crack tem sido a droga mais usada e tem sido a responsável por muitos problemas, tanto para usuários, quanto para a polícia. Interessante, é que o deputado Mauro Moraes (PSDB) já alertava sobre isso há mais de dois anos e, até foi punido pelo seu ex-partido, pelas críticas que fez a ação, ou falta dela, da SESP. Delazari afirma que a Operação Cidade Segura é em caráter permanente para elucidação dos crimes em Curitiba e “no resto do Paraná”. Ele também acha que a descriminalização das drogas é um assunto a ser discutido…
Quando o governador Roberto Requião (PMDB) fala, é preciso interpretar as entrelinhas, principalmente quando fala na “Escolinha”, onde já foi punido, com pesadas multas, várias vezes por dizer todas as palavras que queria, sem se preocupar se estava atingindo ou ofendendo alguém. Agora a pouco, na abertura da sessão tortura semanal, Requião falou sobre as drogas e o aumento da criminalidade. Disse que constatou um fato curioso. Disse que a “boa” política social do Governo Federal, que incluiu as classes C, D e E no crescimento da renda familiar, ao invés de diminuir o tráfico de drogas, aumentou. “Um rapaz, uma moça que recebe droga para repassar, das mãos de uma quadrilha, depois não pagam, a quadrilha não procura o Procon, a delegacia de polícia. Pune o inadimplente com a morte. 95% das mortes estão ligadas diretamente ao tráfico de drogas. A solução é a polícia atuar, não com violência, mas com inteligência”, diz. Sobre o assunto, Requião propõe uma ampla discussão sobre o assunto, lembrando que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) propôs a legalização de drogas leves como a maconha. “Na Argentina e em Portugal isso [legalização de drogas leves] já existe. Não tomo partido nessa proposta, mas acho que devemos aprofundar esta questão, já que o aumento da rendas da população mais pobre não tem resolvido, mas aumentado o tráfico de drogas”, completou. Das duas, uma: ou Requião concorda com FHC, sobre a legalização das drogas; ou é mais uma desculpa armada para justificar o crescimento incontrolável da criminalidade no Paraná. Ou, ainda, as duas coisas…
“Quanto recebeu a Gazeta (do Povo) para fazer isso?”. Do governador Roberto Requião (PMDB), agora a pouco na “Escolinha”, ao afirmar, com todas as letras, que o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, fez “um grande repasse” para a Gazeta do Povo. “Deixamos de gastar em publicidade para acabar com o jogo de pressão, que consiste em falar mal para, depois, mandar a fatura. Depois do repasse do Paulo Bernardo, a Gazeta do Povo faz páginas e páginas tentando desestabilizar e desqualificar o Governo”, disparou.
Ainda apontando a artilharia contra o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o governador Roberto Requião, na “Escolinha” disse que convidou os senadores paranaenses, “que também foram agredidos”, para discutir a postura do ministro. Afirmou que convidou os senadores tucanos “Osvaldo” Arns – depois consertou dizendo Flávio Arns – e Álvaro Dias para discutirem o assunto na “Escolinha”. “Essa é a minha posição e do vice-governador Orlando Pessuti. Queremos saber qual é a posição dos outros? Essas negociatas só servem para financiamento de campanha”, atirou.
Agora a pouco, ao abrir a Escola de Governo, no auditório do Museu Oscar Niemayer (MON) o governador Roberto Requião (PMDB) fez grave denúncia envolvendo o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento. Ele ainda está “magoado” com as declarações do ministro em entrevista à Gazeta do Povo. Disse que Bernardo o procurou no Canguiri, numa manhã de domingo, acompanhado do diretor geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), chamado apenas de “Bernardo”, e fez a seguinte proposta: “Queremos liberar a construção de um trecho ferroviário entre Guarapuava e Ipiranga para a ALL, que vai custar R$ 550 milhões. O senhor (governador) tem que concordar senão não liberamos a verba. A ALL constrói a estrada e cobra lá uma espécie de pedágio ferroviário e debita do aluguel que tem que pagar para o Governo pela utilização da estrada”. O mais grave, porém, é que, segundo Requião, o Governo Federal dará para a ALL R$ 550 milhões, que não precisar pagar por isso. Pior. Requião garante que o trecho, conforme pesquisa feita pela Ferroeste e pela Secretaria de Estado dos Transportes, não deve custar mais de R$ 150 milhões e não R$ 550milhões. “Montaram uma engenharia financeira pela qual a ALL ganha o trecho e a empreiteira, o dinheiro. Estavam querendo o meu aval para receberem R$ 550 milhões e não precisam pagar porque o Governo Federal estava abrindo mão do recebimento. Além do mais, o presidente da ALL declarou em jornais que o preço da construção da estrada é de R$ 150 milhões. Mas, o ministro Paulo Bernardo diz, em entrevista à Gazeta do Povo, um verdadeiro absurdo, de que o Governo do Paraná não brigava por recursos federais. Queremos uma relação decente com o Governo Federal. Essa é uma posição do ministro. Não concordei e disse que se fosse feito (o negócio) eu denunciaria”, disparou. Será que a “transação” foi feita? Já que o governador denunciou?
Definitivamente, o governador Roberto Requião (PMDB), resolveu “adotar” o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, neo-peemedebista, como seu inimigo público número um. Não poupou críticas. “O Meireles, que foi presidente dos bancos internacionais no Brasil, foi eleito deputado federal pelo PSDB, numa belíssima votação por Goiás. Depois foi nomeado presidente do Banco Central. Saiu do PSDB e entrou no PMDB, numa manobra da cúpula do Governo [Federal]. Agora, foi encarregado para redigir o plano de governo do partido. Na mão do Meireles, quem ganha dinheiro é banco. Praticamente, o meu velho PMDB de guerra está tungado, por uma aliança que parecia circunstancial, mas que acabou se consolidando. O paladar é muito amargo e de digestão muito difícil, essa aliança que estamos vivendo no Brasil”, disse, referindo-se a estratégia do deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), que quer forçar o seu nome como vice-presidente na chapa encabeçada pela ministra Dilma Rousseff (PT), na eleições desse ano. Temer antecipou a eleição para o comando nacional do partido de março para o sábado passado (6) e foi reeleito, apesar das ações judiciais que tentaram impedir o processo. Requião não se conforma e culpa o presidente Lula pelas manobras que foram feitas para que o PMDB se alie ao PT em favor da candidatura de Dilma.




